quinta-feira, 5 de março de 2009

Quanto tempo leva para égua ter o potro

Gestação da Égua
Dr. José Carlos Duarte - Médico-Veterinário, Portugal Uma égua normal, numa expressão corriqueira, podemos dizer que passa a vida prenhe, e que o seu principal estatuto é a prenhez, pois tão logo se desocupa de um potro se prepara para conceber outro, ano após ano. Antes de abordar o assunto, é importante partirmos de referências certas e definições de base, para que possamos desenvolver raciocínios localizados, neste longo período de tempo de ocorrências variadas. Assim é importante avançar alguns enquadramentos: 1. Na égua a fertilização ocorre nas trompas de Falópio, estrutura orgânica subjacente ao ovário que recebe o óvulo ou oócito e onde se dá a fecundação - INÍCIO DA GESTAÇÃO. 2. Entre esta estrutura e o útero há o oviducto, minúsculo órgão tubular que conduz o oócito já fecundado até ao útero, que demora entre 5 e 7 dias para percorrê-lo. 3. O útero é, de fato, a sede onde o novo ser vai residir durante este longo período de cerca de 340 dias e onde, ao longo do tempo, se desenvolverá, passará por várias fases na dependência de sua mãe, até vir à luz 4. A gestação da égua dura em média cerca de 340 dias, havendo autores que a enquadram entre os 320 e 375 dias. 5. Quando um potro nasce entre os 320 e os 300 dias, diz-se prematuro.6. Quando um potro nasce antes dos 300 dias, diz-se aborto. Nos primeiros dias de gestação, o futuro potro chama-se embrião e nos primeiros 14 a 16 dias da sua presença no útero, a mãe não sabe ainda que está prenha e a sua produção hormonal ocorre como a de uma égua que cicla normalmente. Se a égua estivesse num ciclo sexual normal, sem ter sido coberta, por esta altura (15º dia) no útero produzir-se-ía um hormônio chamado de prostaglandina que interromperia a produção de progesterona pelo Corpo Amarelo e a égua voltaria novamente ao cio. Agora a presença do embrião e a ocorrência da formação e fixação duma vesícula embrionária em algum local do útero, coincide com o aumento do tônus uterino e o desenvolvimento progressivo do embrião, impedindo a produção de prostaglandina e assegurando o bom desenvolvimento da gestação. Estes fenômenos ocorrem por volta dos 18-20 dias da presença do embrião no útero. Esta designação de embrião mantém-se até que todos os órgãos estejam formados, como que numa réplica miniatura do que será o futuro potro. Isto ocorre por volta dos 40 dias e a partir daqui passamos a chamar-lhe feto. Depois da fecundação e nidação, já sumariamente abordados, debrucemo-nos um pouco mais detalhadamente sobre o último trimestre da gestação: Nos últimos 3-4 meses da gestação, as necessidades nutricionais da égua aumentam. Aumentam muito ! É neste último trimestre que o feto acaba o seu desenvolvimento, o que corresponde a dizer que neste período ocorre cerca de 60% do seu desenvolvimento. A mãe égua começa a preparar, por esta altura, também a fisiologia da próxima lactação, o que a leva a mobilizar mais reservas do seu próprio organismo.Para que a égua possa suportar e suprir este aumento, precisa de cerca de 20% de energia na dieta, além do que normalmente necessitaria para a sua a sua manutenção, bem como mais cerca de 30% de proteína. As necessidades de cálcio, fósforo e outros minerais aumentam enormemente, assim como de vitaminas, especialmente a vitamina A. É de fato neste último terço da gestação que as necessidades realmente disparam, em contrapartida com os 2/3 anteriores, (nestes 2/3 o feto cresce cerca de 90 grs. por dia) em que as necessidades da mãe égua mantém-se aos níveis médios das exigências normais da manutenção. Por outro lado, atendendo à nossa época de cobrição/partos e a fatores climáticos, este último terço da gestação coincide precisamente com a altura do ano de maior penúria alimentar, para animais criados em regime extensivo, como são a maior parte das nossas lusitanas.De igual modo, o crescimento do feto e o aumento de todas as outras estruturas uterinas que suportam a gestação - placenta e líquidos aminióticos - reduzem também de alguma forma a capacidade digestiva por compressão de todos os órgãos abdominais, com especial destaque para o estômago e intestino, levando assim a menor capacidade de ingestão e a digestões mais difíceis, se o alimento de balastro ingerido não for de boa qualidade. A esta altura, início do inverno, há ainda outros fatores que pouco ajudam a amenizar este quadro de contrariedades. Levando-se em conta o que alguns autores descrevem acerca dos componentes vitamínicos (A, D e E) do feno, guardado à mais de 3 ou 4 meses, que sofrem um grande decréscimo nos seus teores qualitativos, estes devem ser analisados para se ter a certeza do tipo de nutrientes que estamos fornecendo ao animal. É portanto, muito importante neste período, fornecer ao animal uma alimentação completa e balanceada, sob os vários pontos de vista abordados, para que a égua chegue ao parto em excelente forma física, visto que é geralmente no pós-parto que se verificam drásticas perdas de peso, que serão muito mais acentuadas se no período seco (antes do parto) a mãe égua foi sujeita à subnutrição, comprometendo depois a capacidade de produção de leite e subseqüentemente o desenvolvimento do potro. Nesta fase final da gestação, parto e início de lactação, a égua deve ter acesso à alimentos de qualidade, fenos e concentrados, e deve-lhe ser oferecido, diariamente, no cômputo dos alimentos citados, no mínimo cerca de 3% do seu peso vivo. Dr. JOSÉ CARLOS DUARTE Médico-Veterinário , Portugal Fonte: Artigo técnico veterinário do Boletim oficial da Associação Portuguesa

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